Dizem que a estrela Absinto caiu no terceiro toque e amargou a água. O que ficou dela o povo chama de Amargo: a doença que queima a pele, deforma os vivos e segura os mortos de pé, com o selo de cera ainda intacto no peito.
A areia subiu até o quarto andar de São Lázaro — a rua de hoje é o telhado de ontem. A maré de areia muda as dunas de lugar, os bondes viram veleiros sobre os trilhos que o vento descobre, e o Rio Amargo, verde e quase seco, é a única água corrente que sobrou. Na beira dele ainda nasce alguma coisa: um oásis torto, no meio de um mundo que já devia ter acabado.
Mesmo que seja o fim do mundo, ainda pode ser bonito.